domingo, 16 de dezembro de 2012

Entrevista

Uma amiga que cursa Psicologia me fez algumas perguntas para um trabalho da faculdade.
Abaixo segue as perguntas e minhas respostas. 
O assunto principal é: Criança autista, família e escola.



TUTOR/PROFESSOR
11) QUAIS AS DIFICULDADES EM TRABALHAR COM CRIANÇAS AUTISTAS?

Nossa! A criança com características autísticas ao mesmo tempo que te deixa frustrado, te deixa também emocionado e esperançoso. Minha experiência com esse aluno diagnosticado autista me ensinou a esperar e ter paciência. Temos o péssimo hábito de querer tudo na hora, no nosso tempo. E com essas pessoas não é assim. Eles têm o tempo deles, aprendem de maneira diferenciada, em outro ritmo. Acredito que a maior dificuldade em trabalhar com crianças com características autísticas é a aceitação desde as outras crianças ao fato de que ela é uma criança que precisa de atenção como todas as outras, aos funcionários da escola e sociedade em geral que necessita enxergá-lo como indivíduo que possui direitos e deveres.
Autismo é um assunto novo para muita gente, que está começando a virar “moda” discutir, está em processo de estudos, não se sabe ao certo onde começa, quando começa e como começa. É uma incógnita! Tentamos de diversas maneiras ensinar, mas não sabemos o que é importante ou não deles aprenderem. A escola, hoje, quer ensinar pessoas para se formarem na faculdade, para alcançar o índice de alfabetização, e muitos, quer dizer 99%, me arrisco em dizer 100% desses alunos não saem do Ensino Fundamental, digo em nível de Brasil e dos casos nível médio e graves. É difícil dizer qual é a maior ou menor dificuldade, sabendo que não temos uma base sobre o assunto. Temos estudos falando sobre o autismo, mas temos poucas sugestões de trabalho, parcerias. É fragmentado, vago, difícil tanto de trabalhar como de discutir. Temos hoje o auxílio das APAES e Pestalozzi, mas ainda há muito pré-conceitos e preconceitos em relação às instituições, por isso muitos pais “depositam”, desculpe a expressão, seu (s) filho (s) com deficiência na escola exigindo que a mesma dê conta dessas crianças sabendo que ainda hoje, as escolas e seus profissionais não estão preparados para recebê-los. Um passa o “problema” para o outro. Ninguém assume incapacidade em lidar com essas crianças em sala de aula ou fora dela, um coloca a culpa no outro. Querem resultados imediatos de crianças que naquele momento cognitivo não estão preparadas para dar. E o resultado é: profissionais frustrados e desorientados, famílias insatisfeitas e crianças estagnadas no conhecimento. E digo isso com tristeza e preocupação.
Resumindo, acredito que a maior, entre muitas dificuldades em trabalhar com essas crianças é aceitação, socialização. Nem todos tem paciência e compreendem a dimensão da situação cognitiva, psicológica ou física dessa criança. A deficiência mental ainda é, infelizmente, um tabu. 


22)      SUA FORMAÇÃO TE DEU BASE PARA SEU TRABALHO?

 Infelizmente não. Como a disciplina “Educação Especial” é curta e são muitas coisas a serem estudadas e lidas, o tempo é curto e a passagem pelo tema deficiência mental ficou vaga, rasa. O pouco que sei hoje foi adquirido pela experiência de trabalho, artigos e livros que li por conta própria.

33)      COMO É O COMPORTAMENTO DO ALUNO EM SALA?

No início do trabalho ele tinha movimentos estereotipados, ecolalia, falta de concentração, não conseguia se manter parado ou sentado, as vezes ficava por pouquíssimo tempo. Não conhecia seus colegas de sala, professores e funcionários da escola, era difícil. No decorrer do trabalho, hoje, posso assim dizer, o aluno se mantem em sala, conhece sua rotina na escola, as disciplinas do dia, o nome dos colegas da sala e de alguns que não estudam mais com ele, dos funcionários e professores da escola. Os movimentos estereotipados diminuíram bastante, assim como a ecolalia. Ou seja, seu comportamento melhorou bastante e muito rápido.

44)      QUEM EFETUOU O DIAGNOSTICO DO QUADRO?

Não posso dizer com certeza, mas acredito que após a família ter procurado vários especialistas, quem deu o diagnóstico foi um neurologista.

55)      QUAL O ENVOLVIMENTO DA FAMILIA COM A ESCOLA?

A família tenta estar sempre envolvida com os trabalhos realizados pelo aluno na escola, ajuda a criança nos deveres de casa, é presente e cobra da escola uma maior atenção ao caso.



Espero ter te ajudado Ester. Quando precisar é só falar.
Att. Loizane da Silva Eduardo

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