sábado, 15 de setembro de 2012

Desabafo


A leitura de um texto sobre uma criança canhota que se sentia excluída por escrever com a mão “errada” me fez pensar sobre inclusão, um assunto que gosto muito de ler e falar.
Pensamos , discutimos, lemos sobre inclusão de pessoas com deficiência e um tema aparentemente “simples” como esse nem é comentado.
Para algumas pessoas, escolher com qual mão irá cumprimentar alguém não é simples e automático. No mundo 90% das pessoas escrevem com a mão direita e os 10% restantes são canhotas. Sendo que praticamente tudo foi pensado e criado para pessoas que usam a mão direita. Diariamente presenciamos essas pessoas adaptas a um mundo “criado” para os destros.
Ainda não se sabe a causa do canhotismo, mas há várias teorias. O que se sabe até então é que as funções motoras de uma pessoa canhota são comandadas pelo lado direito do cérebro.
E aí me pergunto: Afinal, o canhotismo é uma deficiência? A inclusão é só para deficientes?
Quando falamos ou lemos sobre inclusão, é discutido sobre deficiência. Não paramos para pensar sobre aquelas pessoas que escutam uma música diferente como, por exemplo, o congo, música clássica ou reggae. Aquelas que optam por um estilo de roupa, uma marca na hora da compra, um corte de cabelo, uma pessoa magra ou gorda são vistas como estranhas ou algo assim.
O tempo todo estamos julgando e rotulando pessoas. A mídia tem padronizado tudo! As roupas, o tipo de cabelo (liso/cacheado, curto/ longo, claro/escuro), tipo físico, etc.
E aí penso na minha vida. Meu tipo físico é magro. Sou muito magra! Quando as pessoas me veem, pergunta se estou doente, perguntam o porquê da minha magreza, se sou anorexa... Além de eu achar uma falta de educação, vejo como uma falta de respeito. Entro numa loja e não encontro roupa no meu tamanho. Ou é larga demais ou apertada.
Atitudes e palavras discriminatórias acontecem com tanta frequência e de uma forma cruel quanto a discriminação racial ou sexual. Pessoas que não se encaixam no padrão (se é que existe) são excluídas e discriminadas pela sociedade.
Nossas escolas são um exemplo de segregação. Pensamos na inclusão, mas não tomamos atitudes inclusivas. Colocamos uma criança ou adolescente na escola e ele deve se adaptar ao ambiente. Raramente se vê uma cadeira adaptada para uma pessoa canhota ou deficiente físico, uma placa escrita com letras maiores para pessoas com baixa visão.
Nosso país é diversificado. Pessoas de estilos muito diferentes, seja no tipo físico, cor da pele, na forma de se vestir, viver, falar ou se alimentar. A exclusão existe e permanece! Nós temos a obrigação de lutar por uma sociedade mais justa e igualitária.
Até quando vamos permitir que a mídia nos manipule? Até quando vamos permitir que a mídia controle nossos pensamentos, conceitos e vida? Quando vamos sair da caverna e perceber que não vivemos e vemos apenas sombras. Existe um mundo lá fora! É real, colorido e, por incrível que pareça lindo!